Corrigindo as potenciais disfunções do sistema de proteção de desenho industrial
DOI:
10.16928/2316-8080.v6n1p.273-300Palavras-chave:
Disfunções Desenho industrial Entropia do sistemaResumo
O estudo examina as disfunções do sistema brasileiro de proteção do desenho industrial, partindo da premissa de que a exclusiva só se justifica enquanto serve à função jurídica própria do instituto: permitir a diferenciação de produtos no mercado pela incorporação de elemento ornamental acessório ao corpus mechanicum. O texto percorre a Lei 9.279/96 e o art. 6º, IV, da Lei 9.609/98, o direito comunitário europeu e o regime britânico do desenho não registrado, além das soluções alemã, italiana, espanhola, nórdica, japonesa, indiana, australiana, taiwanesa e norte-americana, e de precedentes do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, do CADE e da jurisprudência francesa. Discute a interconexão de sistemas, as peças must fit e must match e a proteção de partes de produtos complexos. Sustenta que, inexistindo no direito brasileiro vedação abstrata ao registro de partes de produtos complexos, cabe exigir que cada parte satisfaça isoladamente todos os requisitos legais e desempenhe função visível quando remontada, e que a política pública relativa às peças de reposição depende de mutação legislativa, não de construção do intérprete.
Referências
ASCENSÃO, José de Oliveira. Direito autoral. 2. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Renovar, 1997.
BARBOSA, Denis Borges. Da indisponibilidade privada das limitações (2012). Disponível em: http://www.denisbarbosa.addr.com/arquivos/200/propriedade/da_indisponibilidade_privada_limitacoes.pdf
BARBOSA, Denis Borges. A proteção dos mercados secundários no direito da propriedade intelectual no Brasil. Revista Eletrônica do IBPI, edição especial, jan. 2010.
BARBOSA, Denis Borges. Da nossa proposta de mudança das normas brasileiras relativas aos desenhos industriais (2010). Estudo encomendado pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
TORREMANS, Paul. Intellectual property law. 6. ed. Oxford: Oxford University Press, 2010, p. 343-349 e 355-456.
SILVA, Miguel Moura e. Desenhos e modelos industriais: um paradigma perdido? In: ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE DIREITO INTELECTUAL. Direito industrial, v. I. Coimbra: Almedina, 2001, p. 438-446.
DURIE, Robyn. European Community design law. In: GRAY, Brian W.; BOUZALAS, Effie (ed.). Industrial design rights: an international perspective. Londres: Kluwer Law International, 2001, p. 78-103.
GRAU-KUNTZ, Karin. Sobre o desenho industrial e a proteção das peças de reposição de automóveis. Migalhas.
BENTLY, Lionel; SHERMAN, Brad. Intellectual property law. Nova York: Oxford University Press, 2004.
REIJA, Carmen Lence. La protección del diseño en el derecho español. Madri: Marcial Pons, 2004, p. 48-49 e 94-97.
BAINBRIDGE, David I. Intellectual property. 6. ed. Reino Unido: Pearson Longman, 2006, p. 486-492 e 545-553.
MORALES, María Baylos (coord.). Tratado de derecho industrial. 3. ed. Espanha: Thomson Reuters, 2009, p. 1303-1307.
PAVANELLO, Luigi. Protection of industrial design under Italian law. In: GRAY, Brian W.; BOUZALAS, Effie (ed.). Industrial design rights: an international perspective. Londres: Kluwer Law International, 2001, p. 156.
SYMONS, William Leonard. The law of patents for designs. Washington, D.C.: Bibliolife, 1914, p. 27-33.
YUN, Patrick; LIU, Frank. Protection of industrial designs in Taiwan in a nutshell. In: GRAY, Brian W.; BOUZALAS, Effie (ed.). Industrial design rights: an international perspective. Londres: Kluwer Law International, 2001, p. 264-265.
CHISUM, Donald S.; JACOBS, Michael A. Understanding intellectual property law. Estados Unidos: Matthew Bender, 1995, p. 68.
GILCHRIST, Sue; ZIEGLER, Deborah; ROWE, Catherine. Industrial design law in Australia. In: GRAY, Brian W.; BOUZALAS, Effie (ed.). Industrial design rights: an international perspective. Londres: Kluwer Law International, 2001, p. 15-16.
AHUJA, Sudhir. Protection of industrial design in India. In: GRAY, Brian W.; BOUZALAS, Effie (ed.). Industrial design rights: an international perspective. Londres: Kluwer Law International, 2001, p. 135-136.
ASAMURA, Kioshi; OKANO, Mitsuo. Japanese design law: a summary for practitioners of the protection system under the design law in Japan. In: GRAY, Brian W.; BOUZALAS, Effie (ed.). Industrial design rights: an international perspective. Londres: Kluwer Law International, 2001, p. 177.
KLETT, Alexander R.; SONNTAG, Matthias; WILSKE, Stephan. Intellectual property law in Germany. Munique: Verlag C. H. Beck, 2008, p. 80.
MICHAELI, Klaus Jurgen. Protection of industrial designs: an overview of German law. In: GRAY, Brian W.; BOUZALAS, Effie (ed.). Industrial design rights: an international perspective. Londres: Kluwer Law International, 2001, p. 123.
SARTI, Davide. La tutela sull'estetica del prodotto industriale. Quaderni di Giurisprudenza Commerciale, 118. Milão: Giuffrè, 1990, p. 141-145.
BERTRAND, André. La propriété intellectuelle, livre II: marques et brevets, dessins et modèles. Paris: Delmas, 1995, p. 35-38.
BIGARD, Stig; MADSEN, Klaus. Protection of industrial design in the Nordic countries. In: GRAY, Brian W.; BOUZALAS, Effie (ed.). Industrial design rights: an international perspective. Londres: Kluwer Law International, 2001, p. 215-216.
MIRANDAH, Gladys. Industrial design law in Singapore. In: GRAY, Brian W.; BOUZALAS, Effie (ed.). Industrial design rights: an international perspective. Londres: Kluwer Law International, 2001, p. 234-236.
GARRET, John Linneker. The law of industrial design in the United Kingdom. In: GRAY, Brian W.; BOUZALAS, Effie (ed.). Industrial design rights: an international perspective. Londres: Kluwer Law International, 2001, p. 298-300.
CUNHA, Frederico Carlos da. A proteção legal do design. 2. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2003.
CUNHA, Frederico Carlos da. A proteção legal do design: propriedade industrial. Rio de Janeiro: Lucerna, 2000, p. 129-130.
SILVEIRA, Newton. O abuso das montadoras face às fabricantes independentes de autopeças. Revista Eletrônica do IBPI, edição especial, jan. 2010.
ACQUAVIVA, Marcus Cláudio. Nova lei da propriedade industrial anotada. São Paulo: Editora Jurídica Brasileira, 1996.
CERQUEIRA, João da Gama. Tratado da propriedade industrial, v. II, t. I, parte II. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010.
DOMINGUES, Douglas Gabriel. Comentários à lei da propriedade industrial. Rio de Janeiro: Forense, 2009.
FURTADO, Lucas Rocha. Sistema de propriedade industrial no direito brasileiro. Brasília: Brasília Jurídica, 1996.
LOBO, Thomaz Thedim. Introdução à nova lei de propriedade industrial: Lei nº 9.279/96. São Paulo: Atlas, 1997.
MIRANDA, Pontes de. Tratado de direito privado, parte especial, t. XVI. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1983.
MUJALLI, Walter Brasil. A propriedade industrial: nova lei de patentes. São Paulo: Led, 1997.
PAES, P. R. Tavares. Nova lei da propriedade industrial. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1996.
SANTOS, Ozéias J. Marcas e patentes, propriedade industrial. 2. ed. São Paulo: Lex, 2001.
SOARES, José Carlos Tinoco. Código da propriedade industrial. São Paulo: Resenha Tributária, 1974.
SOARES, José Carlos Tinoco. Lei de patentes, marcas e direitos conexos. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1997.
TAVARES, Marcio Ney. Propriedade industrial: manual prático e legislação. Rio de Janeiro: Esplanada, 2001.
DI BLASI, Gabriel. Questões atuais na proteção dos desenhos industriais. Revista da ABPI, n. 93, mar./abr. 2008, p. 3-6.
RODRIGUES, Clóvis Costa. Concorrência desleal. Rio de Janeiro: Peixoto, 1945, p. 255.
POLLAUD-DULIAN, Frédéric. Propriété intellectuelle: la propriété industrielle. Paris: Economica, 2011, p. 523-524 e 541-543.
POLLAUD-DULIAN, Frédéric. Droit de la propriété industrielle. Paris: Montchrestien, 1999.
BRASIL. Tribunal Regional Federal da 2ª Região, 2ª Turma Especializada, AC 2010.51.01.809326-0, voto vencedor do Des. Marcelo Pereira, DJ 10.12.2013.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça, REsp 964.404-ES (2007/0144450-5), Terceira Turma, Min. Paulo de Tarso Sanseverino, 15 de março de 2011.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Os autores mantêm os direitos autorais sobre seus trabalhos e concedem à revista o direito de primeira publicação. A licença aplicável a este artigo é a indicada nesta página e corresponde à política vigente na data de sua publicação.
Os autores estão autorizados a depositar a versão publicada em repositórios institucionais e temáticos, desde que indicada a publicação original nesta revista.
A PIDCC não cobra taxas de submissão, processamento ou publicação.