A indicação geográfica como instrumento para o desenvolvimento de uma região: caso indicação de procedência do “Vales da Uva Goethe” – SC
DOI:
10.16928/2316-8080.v5n1p.407-425Palavras-chave:
Desenvolvimento regional Propriedade intelectual Indicação geográfica VitiviniculturaResumo
Ao longo das últimas décadas, vem se estabelecendo um contexto institucional que condiciona, de forma substancial, a dinâmica produtiva e tecnológica das cadeias produtivas do agronegócio. Como não basta olhar o macro sem compreender que impactos este pode causar no micro e no meio ambiente institucional, o objetivo deste artigo é analisar se o reconhecimento de uma Indicação Geográfica pode contribuir para desenvolver a região delimitada de forma sustentável, com base no marco teórico do Desenvolvimento como Liberdade de Amartya Sen e na análise das indicações geográficas como políticas públicas. O método utilizado baseia-se no estudo de caso, para o qual foi escolhida a Indicação de Procedência Vales da Uva Goethe, localizada no sul de Santa Catarina, que tem como foco a elaboração de vinhos. Como resultados, verifica-se que a proteção das indicações geográficas pode ser uma das estratégias de desenvolvimento para o Brasil. Mas para isso é preciso garantir um sistema de proteção que valorize o perfil dos produtos e o vínculo entre esses e o território, que garanta a permanência das pessoas no meio rural e que incentive a indústria e o mercado local, criando empregos, gerando renda e garantindo a todos um desenvolvimento como liberdade.
Referências
BRENNER, L.; AMARAL, J.N. Políticas Públicas: conceitos e práticas. Caldas - Belo Horizonte: Sebrae/MG, 2008.
BRASIL, LEI 9.279, de 14 de maio de 1996 (Código de Propriedade Industrial). Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Leis/L9279.htm.
BRASIL, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Curso de Propriedade Intelectual & Inovação no Agronegócio. Organização: Luis Otávio Pimentel. 2ºed. rev. e atual. Brasília: MAPA; Florianópolis: EAD/UFSC, 2010.
BARBOSA, Patrícia; BRUCH, Kelly L. Análise do desenvolvimento das indicações geográficas brasileiras: evolução histórica e perspectivas. Anais do II Simpósio Internacional de Indicações Geográficas. Fortaleza. 2012.
BRUCH, K. L.; AREAS, P. Políticas Públicas em signos distintivos: a promoção do desenvolvimento como liberdade por meio das indicações geográficas e marcas coletivas aplicadas ao estudo de caso da Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude ACAVITIS. In: Salete Oro Boff; Luiz Otavio Pimentel. (Org.). A proteção jurídica da inovação tecnológica. A proteção jurídica da inovação tecnológica. Passo Fundo - RS: EdIMED, 2011, v., p. 129-146.
BRUCH, K.L. Signos distintivos de origem: entre o velho e o novo mundo vitivinícola. Tese de Doutorado, PPDG/UFRGS, Porto Alegre, 2011.
BUAINAIN, A.M.; BATALHA, O. Cadeia produtiva de frutas. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Secretaria de Política Agrícola, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura; Antônio Márcio Buainain e Mário Otávio Batalha (coordenadores). - Brasília: IICA, MAPA/SPA, 2007 (B) (Agronegócios; v. 7).
FILHO, S. L. M.; SILVEIRA, J. M. F. J. Proteção às Indicações Geográficas: A Experiência Brasileira. XII Seminário Latino-Iberoamericano de Gestion Tecnológica - ALTEC 2007. Disponível em: http://www.ige.unicamp.br/geopi/documentos/40292.pdf. Acesso em: 24 ago.
CERDAN, C. M.T.; BRUCH, K. L.; SILVA; A. L.; PIMENTEL, L. O. Curso de Propriedade Intelectual & Inovação no Agronegócio. 2. ed. Brasília: MAPA, 2011.
BRASIL, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Curso de Propriedade Intelectual & Inovação no Agronegócio: Modulo II, Indicação Geográfica. Organização: Claire Marie Cerdan, Kelly Lissandra Bruch e Aparecido Lima da Silva. 2ºed. rev. e atual. Brasília: MAPA; Florianópolis: EAD/UFSC/FAPEU, 2010. COSTA da, G. C. O regime internacional das Indicações Geográficas: Um processo de Desenvolvimento. Disponível em: http://bdm.bce.unb.br/bitstream/10483/1090/1/2010_GabrielaCoelhoCosta.pdf. Acesso em: 26 ago. 2012.
DALCIN, M. S. Vale dos Vinhedos: história, vinho e vida. Bento Gonçalves: MSD Empreendimentos Culturais; Gráfica Pallotti, 2008. FAO. Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. Disponível: https://www.fao.org.br/. Acesso: 10mar2012.
DIEDRICH, M. M. Bê-a-bá da metodologia de trabalhos acadêmicos e científicos: uma orientação prática a alunos de graduação e de pós-graduação. 2. ed. rev. E ampliada. Passo Fundo: IMED, 2007.
FÁVERO, K. C. As Indicações Geográficas como instrumento de proteção jurídica internacional do conhecimento tradicional: harmonizando propostas de OMC, ONU E OMPI. Disponível em: http://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/8953/285387.pdf?sequence=1. Acesso em: 29 ago. 2012.
GUERRA, C.C.; MANDELLI, F.; TONIETTO, J.; ZANUS, M.C.; CAMARGO, U.A. Conhecendo o essencial sobre uvas e vinhos. Documento 048. Bento Goncalves: Embrapa Uva e Vinho, 2009. IBRAVIN. Instituto Brasileiro do Vinho. Disponível em: http://www.ibravin.org.br/. Acesso em: 29 mar 2012.
INPI, Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Disponível em: http://www.inpi.gov.br/. Acesso em: 20 abr 2012.
LAGARES, L.; LAGES, V.; BRAGA, C. Valorização de produtos com diferencial de qualidade e identidade: Indicações Geográficas e certificações para competitividade nos negócios. 2. ed. Brasília: Sebrae, 2006.
LOCATELLI, L. O reconhecimento e a proteção jurídica das indicações geográficas como instrumento de desenvolvimento econômico. 2006. Tese (Doutorado) - Curso de Pós-graduação em Direito, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis-SC.
LOPES, B; AMARAL, J. N. Políticas Públicas: conceitos e práticas; coordenação de Ricardo Wahrendorff Caldas - Belo Horizonte: Sebrae/MG, 2008. 48 p. Disponível em: http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/BDS.nsf/E0008A0F54CD3D43832575A80057019E/$ File/NT00040D52.pdf. Acesso em: 29 ago. 2012. A INDICAÇÃO GEOGRÁFICA COMO INSTRUMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO DE UMA REGIÃO 425 MAPA. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/. Acesso em: 28 fev 2012.
NETO, O. S. S. M. Políticas Públicas e o Protagonismo Juvenil. Disponível em: http://www.abmp.org.br/textos/290.htm. Acesso em 24 ago. 2012.
PROGOETHE, Associação de produtores da uva e do vinho Goethe. Disponível em: http://www.progoethe.com.br/. Acesso em: 20 abr 2012.
REBOLLAR, P.M.; VELLOSO, C.Q.; ERN, R.; VIEIRA, H.J.; DA SILVA, A.L. Progoethe: Vales da Uva Goethe, Urussanga: Editora Progoethe, 2007.
SEN, A. A ideia de justiça. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
SEN, A. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
SOUZA, C. Políticas Públicas: uma revisão da literatura. Porto Alegre, ano 8, nº 16, jul/dez 2006.
TEIXEIRA, E. C. O papel das Políticas Públicas no desenvolvimento local e na transformação da realidade. Disponível em: http://www.fit.br/home/link/texto/politicas_publicas.pdf. Acesso em 23 ago. 2012.
TREVISAN, A. P.; BELLEN van, H. M. Avaliação de políticas públicas: uma revisão teórica de um campo em construção. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rap/v42n3/a05v42n3.pdf. Acesso em 23 ago. 2012.
VELLOSO, C.Q. Indicação geográfica e desenvolvimento territorial sustentável: a atuação dos atores sociais nas dinâmicas de desenvolvimento territorial a partir da ligação do produto ao território (um estudo de caso em Urussanga, SC). Dissertação (Mestrado). Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), 2008.
VIEIRA, A. C. P.; WATANABE, M.; BRUCH, K.L. Perspective socioeconomic development in the Valley of goethe grapes with the use of the geographic indication. In: 35ème Congres Mondial du Vin et de la Vigne, 2012, Izmir. 35ème Congres Mondial du Vin et de la Vigne. Paris-França: OIV, 2012. WTO. Disponível em: http://www.wto.org/english/thewto_e/whatis_e/tif_e/org6_e.htm. Acesso em 09 set 2012. Publicado no dia 26/02/2014 Recebido no dia 15/02/2014 Aprovado no dia 20/02/2014.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Os autores mantêm os direitos autorais sobre seus trabalhos e concedem à revista o direito de primeira publicação. A licença aplicável a este artigo é a indicada nesta página e corresponde à política vigente na data de sua publicação.
Os autores estão autorizados a depositar a versão publicada em repositórios institucionais e temáticos, desde que indicada a publicação original nesta revista.
A PIDCC não cobra taxas de submissão, processamento ou publicação.