Critérios para proteção peculiar às marcas notoriamente conhecidas no Brasil: o impacto da Convenção da União de Paris e o estudo do caso Rickenbacker

Autores

DOI:

10.16928/2316-8080.jan2022_04

Palavras-chave:

Marca notoriamente conhecida Territorialidade Marcas

Resumo

O artigo aborda a proteção das marcas notoriamente conhecidas e tem como objetivo principal aprofundar o debate sobre a proteção desses signos no Brasil, especificamente no que se refere aos critérios utilizados para se determinar o conhecimento notório no País. O estudo do caso da marca estrangeira de instrumentos musicais Rickenbacker foi escolhido como estratégia metodológica, pois permitiu uma análise profunda do fenômeno da notoriedade da marca e de decisão rara do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O caso foi analisado a partir de três perspectivas teóricas: a teoria da percepção passiva do consumidor e a teoria interacional, além das características de marcas notoriamente conhecidas citadas por Moro (2003). Como resultado, o estudo de caso demonstrou que a marca Rickenbacker atende às características das marcas notoriamente conhecidas identificadas por Moro (2003) e poderia ser considerada como tal à luz da teoria da percepção passiva do consumidor e da teoria interacional. Quanto à decisão do INPI, aparentemente adotou-se a perspectiva interacional, contudo, não foi possível afirmar categoricamente este fato.

Referências

AUSTIN, Graeme W. Introduction: the inevitability of 'territoriality challenges' in trademark law. In: CALBOLI, Irene; LEE, Edward (org.). Trademark protection and territoriality challenges in a global economy. Cheltenham: Edward Elgar, 2014.

BACON, Tony. Rickenbacker electric 12-string: the story of the guitars, the music, and the great players. 1. ed. Londres: Backbeat Books, 2010.

BAIOCCHI, Enzo. A proteção à marca notoriamente conhecida fora do campo de semelhança entre produtos e serviços: a (não) aplicação do art. 16.3 do TRIPS no Brasil. Revista da ABPI, São Paulo, n. 102, p. 3-27, set./out. 2009.

BARBOSA, Denis Borges. Aplicação do acordo TRIPS à luz do direito internacional e do direito interno. c2020.

BARBOSA, Denis Borges. Efeito extraterritorial das marcas. 2010.

BODENHAUSEN, Georg Hendrik Christiaan. Guide to the application of the Paris Convention for the Protection of Industrial Property as revised at Stockholm in 1967. Genebra: BIRPI/WIPO, fev. 1968.

BRASIL. Decreto 19.056, de 31 de dezembro de 1929. Promulga três atos sobre propriedade industrial, revistos na Haia em novembro de 1925.

BRASIL. Decreto 75.572, de 8 de abril de 1975. Promulga a Convenção de Paris para Proteção da Propriedade Industrial, revisão de Estocolmo, 1967.

BRASIL. Decreto 1.355, de 30 de dezembro de 1994. Promulga a Ata Final que incorpora os resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais.

BRASIL. Lei n. 5.772, de 21 de dezembro de 1971. Institui o Código da Propriedade Industrial.

BRASIL. Lei n. 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial.

BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil.

CASTELLI, Thais. Propriedade intelectual: o princípio da territorialidade. São Paulo: Quartier Latin do Brasil, 2006.

CORREA, José Antônio B. L. Faria. O tratamento das marcas de alto renome e das marcas notoriamente conhecidas na Lei 9.279/96. Revista da ABPI, São Paulo, n. 28, p. 33-39, mai./jun. 1997.

DE OCÓN, Carlos González-Bueno Catalán. Marcas notorias y renombradas: en la ley y la jurisprudencia. Madri: La Ley, 2005.

DIAS, José Carlos Vaz e. Business transaction of intellectual intangibles: the evidence and the peculiarities of a new form of property rights. Quaestio Juris, v. 8, n. 3, p. 2044-2060. Rio de Janeiro, 2015.

DIAS, José Carlos Vaz e. New dress code for business transactions in Brazil: essentials and peculiarities of trademarks in the spotlight. In: CALBOLI, Irene; WERRA, Jacques de (org.). The law and practice of trademark transactions: a global and local outlook. Cheltenham: Edward Elgar, 2016.

FERNÁNDEZ-NÓVOA, Carlos. Las funciones de la marca.

GRINVALD, Leah Chan. Interactivity, territoriality and well-known marks. In: CALBOLI, Irene; LEE, Edward (org.). Trademark protection and territoriality challenges in a global economy. Cheltenham: Edward Elgar, 2014.

INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL. Diretoria de Marcas. Processo administrativo n. 829991506, referente ao pedido de registro da marca 'Rickenbacker brasil wood', depositado em 18 de novembro de 2008. Rio de Janeiro: INPI, 2008.

INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL. Diretoria de Marcas. Publicação do indeferimento do pedido de registro da marca 'Rickenbacker brasil wood'. Revista da Propriedade Industrial, Rio de Janeiro, n. 2084, 14 dez. 2010.

INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL. Presidência. Resolução n. 249/2019, de 9 de setembro de 2019. Institui a 3ª edição do Manual de Marcas. Rio de Janeiro: INPI, 2019.

INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL. Consulta à base de dados do INPI. Rio de Janeiro: INPI, 2020.

LADAS, Stephen P. Patents, trademarks, and related rights: national and international protection, v. III. Cambridge: Harvard University Press, 1975.

MORO, Maitê Cecília Fabbri. Direito das marcas: abordagem das marcas notórias na Lei 9.279/1996 e nos acordos internacionais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003.

MOSTERT, Frederick. The protection of well-known marks under international intellectual property law. In: CALBOLI, Irene; GINSBURG, Jane C. (org.). Cambridge handbook of international and comparative trademark law. Cambridge: Cambridge University Press, 2020.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA PROPRIEDADE INTELECTUAL. Acte de Londres, 1934.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA PROPRIEDADE INTELECTUAL. Acte de Lisbonne, 1958.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA PROPRIEDADE INTELECTUAL. Joint recommendation concerning provisions on the protection of well-known marks. Genebra: WIPO, set. 1999.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA PROPRIEDADE INTELECTUAL. Paris Convention for the Protection of Industrial Property. 2020.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA PROPRIEDADE INTELECTUAL. Consulta à Global Brand Database. Genebra: OMPI, 2020.

SCHMIDT, Lélio Denicoli. A ação de adjudicação e os direitos de preferência ao registro de marca. Revista da ABPI, n. 31, nov./dez. 1997, p. 3-20.

SMITH, Richard R. Rickenbacker: the history of the Rickenbacker guitar. Anaheim: Centerstream Publications, 1987.

SOARES, José Carlos Tinoco. Marcas notoriamente conhecidas, marcas de alto renome vs. diluição. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010.

TAVARES, Maria de Lourdes Coutinho. Marca notoriamente conhecida: espectro de proteção legal. Revista da Escola da Magistratura Regional Federal, Cadernos Temáticos - Propriedade Industrial, p. 147-192. Rio de Janeiro: EMARF, TRF 2ª Região, fev. 2007.

BMRC BRANDESSENCE MARKET RESEARCH AND CONSULTING. Guitar market 2020: forecast to 2025. 2020.

RESEARCH AND MARKETS. Global guitar market 2017-2021. 2020.

YIN, Robert K.; THORELL, Ana. Estudo de caso: planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman, 2010.

Downloads

Publicado

2022-01-01

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

RIBEIRO PEREIRA, R.; VAZ E DIAS, J. C.; SANT'ANNA, L. DA S. Critérios para proteção peculiar às marcas notoriamente conhecidas no Brasil: o impacto da Convenção da União de Paris e o estudo do caso Rickenbacker. Revista de Propriedade Intelectual, Direito Contemporâneo e Constituição, v. 11, n. 1, p. 53–77, 1 jan.2022.