Doces tentações: uma história da indicação geográfica como direito de propriedade intelectual na cultura alimentar luso-brasileira

Autores

  • Janaina Cardoso De Mello Autor

DOI:

10.16928/2316-8080.v10n1p.149-166

Palavras-chave:

Vinho do Porto Doces de São Cristóvão/SE Indicação geográfica

Resumo

O estudo adota como proposta a análise da cultura alimentar a partir do vinho do Porto e dos doces de São Cristóvão na elaboração de uma História da Indicação Geográfica como Direito de Propriedade Intelectual. O percurso parte da intervenção do Marquês de Pombal, em 1756, primeira medida de proteção conferida pelo Estado português ao vinho do Porto, e acompanha a doçaria sancristovense, herdeira da tradição portuguesa, que ainda não dispõe de registro, cotejando-a com a Indicação de Procedência concedida aos doces de Pelotas em 2011. Discute os procedimentos e as características do registro, o peso das condições geoclimáticas e do saber-fazer na formação da reputação dos produtos e os processos de ressignificação do patrimônio alimentar luso-brasileiro. Parte do princípio de que uma indicação geográfica não se vincula a um bem público, pois não é de uso comum, mas defende o uso, dentro dos dispositivos legais, por aqueles requerentes localizados em uma região definida, e sustenta que esse instituto pode gerar externalidade econômica positiva no fomento à sustentabilidade das comunidades produtoras.

Referências

ABECASIS, Isabel. Caderno de receitas do convento das Salésias. Manuscrito da Livraria n.º 2403. Lisboa: Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Transcrição de 10.03.2015.

BARROS, Carla Eugenia Caldas. Manual de Direito da Propriedade Intelectual. Aracaju: Evocati, 2007.

BRAGA, Isabel M. R. Mendes Drumond. Sabores do Brasil em Portugal. Descobrir e transformar novos alimentos (séculos XVI-XXI). São Paulo: Ed. SENAC/SP, 2010.

PIMENTEL, Luiz Otávio (Org.) Curso de Propriedade Intelectual & Inovação no agronegócio: Modulo II, indicação geográfica. Florianópolis: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA/ FUNJAB, 2014, pp.61-95.

CASCUDO, Luis da Câmara. História da Alimentação no Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1967, vol.I.

COPETTI, Michele; FÁVERO, Klenize Chagas; LOCATELLI, Liliana. Indicação Geográfica de produtos agropecuários: importância histórica e atual. In: PIMENTEL, Luiz Otávio (Org.) Curso de Propriedade Intelectual & Inovação no agronegócio: Modulo II, indicação geográfica. Florianópolis: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA/ FUNJAB, 2014, pp. 32-58.

DANTAS, Beatriz Góis. Entre o sagrado e o profano. In: VIEIRA, M. J. G. Senhor dos Passos em todos os passos. Aracaju: Gráfica J. Andrade, 2006. p. 55-59.

DE BLIJ, Harm. Wine: A Geographic Appreciation. Totowa: Rowman and Littleheld, 1983.

GIESBRECHT, H. O. (Coord.). Indicações geográficas brasileiras. Brasília: SEBRAE,.

MELLO, Maria Tereza Leopardi; ESTEVES, Heloisa Borges. O jurídico e o econômico na noção de direitos de propriedade intelectual. In: HERSCOVICI, Alain (Org.) Direitos de Propriedade Intelectual e Inovação. Uma análise econômica além das evidências. Vitória: EDUFES, 2015, pp.53-83.

PEREIRA, Gaspar Martins. O vinho do porto: entre o artesanato e a agroindústria. HISTÓRIA - Revista da Faculdade de Letras. Porto, III Série, vol. 6, 2005, pp. 185-191.

PEREIRA, Gaspar Martins; COSTA, Natália Fauvrelle da. Instruções para a cultura das vinhas nas quintas de João Pacheco Pereira, antes da instituição da Companhia. DOURO - Estudos & Documentos, vol. III (5), 1998 (1º), pp.161-175.

QUEIROZ, Eça de. A cidade e as serras. Porto: Livraria Chardron de Lello & Irmão, 1901.

REIS, Ana Carla Fonseca; MARCO, Kátia (orgs.) Economia da Cultura. Idéias e vivências. Rio de Janeiro: Publit, 2009.

SOUZA, Fernando; PEREIRA, Conceição Meireles. O Brasil, o Douro e a Real Companhia Velha (1756-1834). Porto: CEPESE/Real Companhia Velha, 2008.

SILVA, Aparecido Lima da; CERDAN, Claire Marie Thuillier; VELLOSO, Carolina Quiumento; VITOLLES, Delphine. Delimitação Geográfica da Área: Homem, História e Natureza. In: PIMENTEL, Luiz Otávio (Org.) Curso de Propriedade Intelectual & Inovação no agronegócio: Modulo II, indicação geográfica. Florianópolis: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA/ FUNJAB, 2014, pp.133-160. Recebido 13/01/2016 Aprovado 25/01/2016 Publicado 29/02/2016.

Downloads

Publicado

2016-02-01

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

DE MELLO, J. C. Doces tentações: uma história da indicação geográfica como direito de propriedade intelectual na cultura alimentar luso-brasileira. Revista de Propriedade Intelectual, Direito Contemporâneo e Constituição, v. 5, n. 1, p. 149–166, 1 fev.2016.